
Para James Whitaker, Larry Page (acima) matou a inovação no Google quando assumiu o cargo de CEO, em 2011
São Paulo — Em seus 14 anos de existência, o Google conquistou a
reputação de empresa dinâmica e inovadora. Mas James Whittaker, ex-diretor de
desenvolvimento do Google, diz que o fracasso das suas múltiplas tentativas de
enfrentar o Facebook na área de redes sociais deixou a empresa sem rumo e
está matando a inovação nela.
Whittaker
demitiu-se do Google há cerca de um mês para voltar a trabalhar na Microsoft,
onde já esteve antes. Ele publicou um longo texto em seu blog, na última
terça-feira, com o título “Por que deixei o Google”. Nele, o engenheiro e
executivo critica duramente seu ex-empregador.
Whittaker elogia o ex-CEO Eric Schmidt que, segundo ele, sempre
estimulou a inovação. De fato, trabalhar no Google costumava ser um sonho para
engenheiros e programadores ambiciosos (e, para muitos, ainda é). Todos podiam
dedicar 20% do seu tempo a projetos pessoais. Novas ideias eram premiadas e
havia amplo acesso a ferramentas para o desenvolvimento dos projetos.
Tudo
isso, é claro, era pago pela enorme receita com anúncios na web do Google. Mas
a publicidade, diz Whitaker, não era o foco do trabalho dos engenheiros. Agora
é, afirma ele. “O Google pelo qual me apaixonei era uma empresa de tecnologia
que dava poder a seus empregados para que inovassem. O Google que deixei era
uma empresa de publicidade com uma visão corporativa estreita”, escreve ele.
A
mudança, na visão de Whitaker foi causada pelas sucessivas tentativas
fracassadas de competir com o Facebook. “O Google ainda põe mais anúncios em
frente a mais gente do que o Facebook. Mas o Facebook sabe muito mais sobre
essas pessoas. E os anunciantes valorizam tanto esse tipo de informação que
chegam a colocar a marca Facebook à frente da sua própria. Exemplo:
www.facebook.com/nike. Uma empresa com o poder e o charme da Nike pondo sua
marca depois da do Facebook? Nenhuma companhia jamais fez isso pelo Google. E o
Google ficou ofendido com isso”, diz.
Whitaker afirma que Larry Page assumiu o posto de CEO do Google,
em abril de 2011, para corrigir isso. Ele colocou o Google+ no topo das
prioridades da empresa e desestimulou projetos que não tivessem relação com a
rede social. Também fechou o Google Labs, um espaço para novidades criativas, e
restringiu o acesso a certas ferramentas. “O tempo em que o Google contratava
pessoas inteligentes e dava poderes a elas para inventar o futuro tinha
acabado”, escreve ele.
O
engenheiro faz uma avaliação nada animadora dos esforços do Google na área de
redes sociais. Embora tenha mais de 90 milhões de pessoas inscritas, o Google+
registra níveis muito baixos de atividade. Por isso, vem sendo chamado de
cidade fantasma das redes sociais. “O Google era aquele garoto rico. Ele
descobriu que não foi convidado para a festa e resolveu fazer sua própria festa
como vingança. O fato de que ninguém veio à festa do Google se tornou um
elefante na sala”, diz.




