sábado, 12 de fevereiro de 2011

As telas Touchscreen podem estar com os dias contados

As telas sensíveis ao toque ou em inglês Touchscreen já foram consideradas um grande desafio para cientistas do mundo todo. Durante anos, buscou-se desenvolver um produto capaz de gerar praticidade aos usuários de aparelhos eletrônicos. Atualmente, as encontramos em diversos deles como celulares, notebooks, tablets, geladeiras, entre outros. Mas agora um novo desafio foi lançado. Acontece que a matéria-prima dessas telas está se esgotando, e ainda não existe uma alternativa para a fabricação deste tipo de produto. Se a demanda pela matéria-prima continuar aumentando, estima-se que as fontes suportem até aproximadamente o ano de 2020.

Algumas alternativas começam a aparecer no mercado, mas esbarram em alguns problemas, como custo de fabricação e qualidade. Atualmente, as telas são fabricadas a partir de óxido de índio-estanho. O índio é um substrato da mineração de chumbo e zinco. Este composto é o preferido pelos fabricantes por apresentarem boa condutividade e opacidade. O óxido de índio-estanho oferece boa condutividade elétrica, o que garante baixos tempos de resposta entre ação de comando e execução e sua transparência garante mais nitidez às imagens. As principais fontes dessa matéria-prima encontram-se na China e ainda não foram encontradas outras reservas capazes

de prolongar sua existência.

A falta desta matéria-prima afetaria o mundo todo, pois já estamos acostumados com os aparelhos que possuem esta tecnologia. Seria difícil imaginar a maioria destes sem este artifício. Inclusive, alguns deles surgiram a partir da tecnologia, como o exemplo dos tablets. Como é um recurso teoricamente novo, eles ainda não aparecem em muitos aparelhos com telas maiores como os notebooks, monitores e televisores, mas que caso se confirme a tendência, devem aparecer no mercado nos próximos anos e consequentemente acelerarão o esgotamento das fontes.

Alternativas

Sabendo da importância do produto, engenheiros e cientistas tentam desenvolver alternativas para este recurso. Das propostas apresentadas, apenas duas são viáveis, mas com ressalvas. A primeira seria uma elaboração conjunta de óxido de cádmio com óxido de índio-estanho. As vantagens do óxido de cádmio são que possuem maior condutividade que o óxido de índio-estanho e são tão transparentes quanto o mesmo. O grande problema é que sozinho o composto é muito instável e deteriora-se rapidamente.

Por isso, a utilização de óxido de índio-estanho traria mais resistência ao produto. Porém, o cádmio é extremamente poluente, além de apresentar risco no manuseio.

Carbono

Outra alternativa seria a elaboração através de nanomateriais de carbono, já que é possível criar inúmeros subprodutos através de alterações nas suas propriedades. Uma delas é o grafeno, que possui ótima condutividade e pouca opacidade e garante bastante qualidade. O grande problema é seu custo. Mas mantendo-se a demanda, é possível que com o tempo o valor dos nanomateriais de carbono se equiparem com o óxido de índio-estranho devido à escassez do mesmo. Isso não significa necessariamente um aumento nos preços dos produtos, visto que os demais componentes dos aparelhos eletrônicos tendem a baixar de preço com o passar do tempo.

Ainda é cedo para se dizer que retrocederemos tecnologicamente em virtude da escassez de recursos. O certo é que se não procurarem soluções interessantes em curto prazo, correremos o risco de futuramente adquirir produtos com elementos tóxicos e perigosos, a fim de satisfazer as necessidades criadas atualmente.


Fonte: Ralf Drechsler - Supervisor de Tecnologia de Informação e Telecom Rondotec Informática -
ralf@rondotec.com.br

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